De Campeões Mundiais a um dos Piores Times da Temporada: A Decadência da LOUD Explicada

De Campeões Mundiais a um dos Piores Times da Temporada: A Decadência da LOUD Explicada

Andre Guaraldo

18 Apr, 2025, 20:43

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Última atualização: 27 Oct, 2025, 13:28

A LOUD, que já foi o orgulho do VALORANT brasileiro e campeã mundial em 2022, agora se encontra no ponto mais baixo de sua história. Enquanto a organização se prepara para se despedir do treinador principal Jordan "stk" Nunes, essa decisão marca o último prego no caixão que transformou uma das forças mais dominantes do esports em um time lutando para manter uma tênue relevância. Este artigo traça a jornada da LOUD de campeã global à crise atual, examinando os pontos de virada e falhas sistêmicas que levaram a uma das quedas mais notáveis do cenário competitivo recente.

A ascensão ao Campeonato Mundial

LOUD explodiu na cena de VALORANT no início de 2022 com a aquisição do elenco conhecido como "pANcada e Amigos", contando com Sacy, Saadhak, Less, pANcada e aspas.
O time rapidamente estabeleceu sua dominância na região, vencendo ambos os splits do Challengers brasileiro sem perder uma série sequer. A estreia internacional no Masters Reykjavík 2022 também foi impressionante, chegando à grande final antes de perder para a OpTic Gaming.

No VALORANT Champions 2022, a LOUD alcançou seu auge ao derrotar a OpTic Gaming por 3-1 na final, tornando-se campeã mundial e trazendo para o Brasil seu primeiro troféu internacional de VALORANT. Durante esse período dourado, a LOUD estabeleceu um recorde inédito no VALORANT profissional: perdeu apenas quatro séries em competições internacionais ao longo de 2022.

Torcedores brasileiros olham para essa imagem e choram desolados, pois faz tempo que sentiram tanta felicidade (créditos: Riot Games)
Torcedores brasileiros olham para essa imagem e choram desolados, pois faz tempo que sentiram tanta felicidade (créditos: Riot Games)

O começo do fim para a LOUD

A transição para o sistema de franquias do VCT em 2023 trouxe mudanças significativas para a LOUD. Sacy e pANcada partiram para a Sentinels, forçando a organização a se reconstruir com os novatos cauanzin e tuyz. Embora esse elenco reformulado tenha mostrado potencial inicial — conquistando o título do VCT Americas 2023 e um vice-campeonato no LOCK//IN — rachaduras começaram a aparecer.
No Masters Tokyo, a LOUD sofreu seu pior desempenho internacional até então, sendo eliminada sem vencer um único mapa. Apesar de se reerguer para garantir um respeitável terceiro lugar no Champions 2023, as tensões internas estavam chegando ao limite.

Perdendo a estrela da franquia, aspas

A saída de aspas em setembro de 2023 marcou um ponto de virada na trajetória da LOUD. Como jogador mais celebrado da equipe e MVP do VCT Americas 2023, sua decisão de sair criou um vazio de talento que a LOUD luta para preencher mesmo dois anos depois. Diversas fontes relataram que a saída de aspas foi complicada por vários fatores, incluindo pedidos negados de aumento salarial e extensão de contrato após as conquistas. A situação ficou mais tensa quando o CEO da LOUD, Jean, curtiu um tweet sugerindo que aspas estava sendo "ingrato" ao deixar a organização, indicando atritos entre a diretoria e o jogador.

LOUD deveria ter lutado mais para manter aspas no elenco (créditos: Leviathan)
LOUD deveria ter lutado mais para manter aspas no elenco (créditos: Leviathan)

A rotação de treinadores

A dança das cadeiras no comando técnico da LOUD foi central tanto para a ascensão quanto para a queda do time. A trajetória começou com Matheus “bzkA” Tarasconi, cuja liderança disciplinada e visão tática levaram a LOUD ao título mundial.
Após a saída de bzkA, Daniel “fRoD” Montaner foi contratado para trazer experiência internacional e estrutura, resultando em mais uma temporada forte, mas também em desafios de comunicação e divisões internas, já que seu estilo e barreiras linguísticas dificultaram a adaptação de alguns jogadores.

Buscando estabilidade, a LOUD apostou em Pedro “peu” Lopes para tentar restaurar a ordem e a química. No entanto, a passagem de peu foi curta, pois os resultados não corresponderam às expectativas e a equipe continuou sem coesão. Em busca de continuidade e comunicação mais clara, a LOUD promoveu Jordan “stk” Nunes, mas sua gestão coincidiu com o período mais turbulento da história da organização.

A instabilidade no comando técnico, somada ao caos no elenco e à perda do núcleo campeão, contribuiu para o declínio acentuado e a crise atual da organização.

O fim do núcleo campeão da LOUD

No final de 2024, os últimos remanescentes do elenco campeão da LOUD haviam partido. Saadhak deixou oficialmente a organização em setembro de 2024, após mais de dois anos no time. Sua saída, junto com a ida de Less para a Team Vitality, marcou a dissolução completa do núcleo que levou a LOUD ao seu maior triunfo.
Com o núcleo campeão desfeito, a LOUD encarava o desafio de se reconstruir para a temporada 2025.

O catastrófico rebuild de 2025

A LOUD finalizou seu elenco para 2025 com expectativas renovadas e novos nomes: Douglas "dgzin" Silva (duelista, ex-FURIA), Vinícius "v1nny" Moreira (IGL, ex-RED Canids), Bryan "pANcada" Luna (estrela de volta), Matheus "cauanzin" Pereira e Arthur "tuyz" Vieira.
A empolgação rapidamente virou decepção, com a LOUD acumulando derrotas nas primeiras semanas do VCT Americas 2025 Stage. V1nny teve desempenho individual e como IGL abaixo do esperado, tornando-se alvo de críticas intensas de fãs e analistas. Ele agravou a situação ao dizer que estava sendo o "bode expiatório" e talvez "o elo mais fraco".

Trocas desesperadas no elenco

Com as derrotas se acumulando em abril de 2025, a LOUD fez mudanças drásticas em uma tentativa desesperada de salvar a temporada. Primeiro, tirou tuyz do time titular e promoveu o jovem Lucca "lukxo" Travaioli para a equipe principal como Sentinel. Lukxo, que havia sido contratado como reserva em janeiro de 2025, só recentemente se tornou elegível para jogar após atingir a idade mínima exigida pela Riot Games. O jovem já havia se destacado pela Galorys em 2024, mostrando versatilidade como Controlador e Sentinel.
Na segunda mudança em duas semanas, a LOUD tirou v1nny, devolveu tuyz ao time titular e passou a função de IGL para pANcada. Isso marcou o abandono total do experimento com v1nny como IGL e evidenciou o desespero crescente da organização.

O fundo do poço para a LOUD

A queda da LOUD atingiu novo patamar em abril de 2025 ao perder para a Sentinels. Essa derrota fez parte de uma sequência de quatro derrotas seguidas no VCT Americas Stage 1, colocando o time próximo da lanterna.
A dificuldade em encontrar substitutos à altura dos jogadores que saíram ficou evidente. A LOUD enfrentou problemas sérios de encaixe de funções, forçando atletas a atuarem em posições desconfortáveis. Por exemplo, tuyz foi deslocado entre várias funções desde a volta de pANcada — de Controlador para Iniciador Flash, Duelista, Flex, Sentinel, de volta para Flex e, agora, possivelmente ainda mais mudanças.

Para complicar, a LOUD experimentou composições de agentes pouco convencionais, que se mostraram ineficazes contra adversários experientes. A abordagem estratégica, antes precisa, deu lugar a jogadas individuais descoordenadas, sem a coesão que marcou o time campeão.

Tudo que deu errado

A derrocada da LOUD pode ser atribuída a quatro falhas interligadas que minaram a base e a competitividade da equipe.

1. Ausência de um competidor incansável como Sacy

Após a saída de Sacy, a LOUD perdeu mais do que um jogador talentoso — perdeu um líder obcecado por vitórias, cuja postura e exigência elevavam o padrão do time. A influência de Sacy ia além da tática; ele ditava o tom de disciplina, ambição e responsabilidade. Sem alguém que exigisse excelência e não aceitasse limites, o time perdeu fome e foco, criando um vácuo de liderança que ninguém conseguiu preencher.

2. Medo de comprometer financeiramente

A diretoria da LOUD hesitou em fazer os investimentos necessários para manter o elenco campeão satisfeito. A relutância em igualar ou superar ofertas para suas estrelas — especialmente no caso de aspas — gerou incerteza e insatisfação. Essa postura conservadora, embora fiscalmente cautelosa, custou à LOUD seus principais jogadores, minando o moral e dificultando a atração e retenção de talentos de elite.

3. Falta de ambição ao substituir aspas

A resposta da organização à saída de aspas foi pouco ousada. Em vez de buscar agressivamente um duelista de nível mundial, a LOUD optou por improvisos internos e escolhas seguras. Essa falta de ousadia deixou o time sem um verdadeiro diferencial na função mais crucial, e o poder de fogo e identidade da equipe sofreram.

4. Apostas arriscadas e mal calculadas em jogadores

A LOUD apostou repetidamente em jogadores com potencial teórico, mas pouca experiência de alto nível, esperando que eles dessem conta do recado. Essas apostas raramente deram certo. A falta de avaliação criteriosa e desenvolvimento gradual fez com que, ao falharem, o time mergulhasse ainda mais na instabilidade e perdesse confiança.
Essas falhas — perda de liderança, cautela financeira, falta de ambição e má gestão de riscos — transformaram a LOUD de campeã mundial em um time sem rumo.

O que vem a seguir para a LOUD

Com a saída iminente de stk, a LOUD se encontra em uma encruzilhada. A reputação da organização como referência do VALORANT brasileiro foi severamente abalada, e a reconstrução exigirá uma revisão completa da abordagem em captação de talentos, desenvolvimento de equipe e estrutura organizacional.
Algumas opções estão sobre a mesa:

  1. Reformulação completa do elenco: Após a saída de stk, a LOUD pode optar por liberar vários jogadores e reconstruir em torno de talentos mais confiáveis.
  2. Buscar talentos internacionais: Embora tradicionalmente conte com elencos 100% brasileiros, abrir espaço para estrangeiros pode trazer novas perspectivas e estilos de jogo.
  3. Reestruturação organizacional: Além de mudanças em jogadores e comissão técnica, será essencial atacar problemas de gestão e infraestrutura que contribuíram para a queda.
  4. Voltar ao básico: Em vez de buscar composições da moda, a LOUD pode se beneficiar de uma identidade clara baseada nos pontos fortes naturais de seus atletas e parar com as trocas constantes de função.

A LOUD pode salvar algo em 2025?

A história da ascensão e queda da LOUD traz lições valiosas para organizações de esports sobre os desafios de manter o sucesso em um cenário competitivo em constante evolução. O que começou com uma celebração de título mundial culminou em um doloroso período de reavaliação e reconstrução.
Com a LOUD em 0-4 no VCT Americas 2025 Stage 1, à beira da eliminação dos playoffs, o time exemplifica como a sorte pode mudar rapidamente nos esports. A organização que fez história como primeira campeã mundial do Brasil agora enfrenta seu maior desafio: recuperar a relevância em um cenário que seguiu em frente sem ela.

Em resumo, a saída do técnico stk não é apenas o fim de uma era — é o mais recente capítulo de uma história de má gestão, experimentos fracassados e os perigos de buscar soluções rápidas em vez de construir algo sustentável. A trajetória da LOUD serve de alerta: no esports, legado vale pouco se não for sustentado por visão, estabilidade e as pessoas certas nos lugares certos.


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Créditos da imagem em destaque: Strafe Esports, usando imagens da Riot Games

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