Brasil Bate Recorde Mundial e Terá Sete Times no Major de Budapeste

Brasil Bate Recorde Mundial e Terá Sete Times no Major de Budapeste

Andre Guaraldo

9 Oct, 2025, 17:36

|

Última atualização: 9 Oct, 2025, 17:39

De vez em quando, o cenário competitivo de Counter-Strike nos surpreende com uma reviravolta que redefine a conversa e, em 2025, esse marco vem do Brasil, que está enviando uma verdadeira armada para o Major de Budapeste da Starladder. É algo sem precedentes. É barulhento. E, dependendo de quem você perguntar, é tanto um triunfo do crescimento nacional quanto um sintoma de mudanças de maré... ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Sete Times, 28 Jogadores

Basta olhar a lista de inscritos para Budapeste e o Brasil está por toda parte: FURIA, MIBR, paiN, Imperial, Legacy, RED Canids e Fluxo representam 28 jogadores espalhados pelo torneio. É a primeira vez que uma nação marca esse nível de presença em um Major, superando até as formações russas e suecas mais fortes de outros tempos.

Mas não deixe que os números falem sozinhos, sem contexto. A conquista brasileira não é apenas ocupar vagas; é resultado de anos de grind, construção e (falando a verdade) às vezes apenas sobrevivência no ecossistema tier-1. É um feito que merece celebração.

O Brasil agora lidera o livro de recordes de todos os tempos em participação em um único Major, e está confortavelmente em primeiro e segundo lugar no ranking de jogadores e equipes em qualquer evento do tipo. Aqui está o top 7 países e seus representantes:

  • Brasil: 28 jogadores (7 times) – Budapest Major 2025
  • Brasil: 25 jogadores (6 times) – Austin Major 2025
  • Rússia: 23 jogadores (5 times) – Copenhagen Major 2024
  • Suécia: 21 jogadores (4 times) – DreamHack Winter 2013
  • Dinamarca: 20 jogadores (4 times) – Austin Major 2025
  • Estados Unidos: 16 jogadores (3 times) – ESL Cologne 2016
  • França: 12 jogadores (2 times) – Early Majors 2013-14

Quantidade não é qualidade

Ainda assim, há uma questão maior por trás da manchete: até que ponto o Counter-Strike brasileiro realmente é profundo? Sete bandeiras no palco de Budapeste impressionam, mas é impossível negar uma divisão entre a elite nacional e a “classe média” do cenário. Neste outono, apenas FURIA e paiN estão constantemente no convívio da elite mundial.

A FURIA, especialmente, virou o rosto da ambição brasileira, com uma mistura de estrelas da casa e um toque internacional que mantém o time no top 10 global. A paiN, por sua vez, se manteve longe da pecha de “sensação passageira” graças a classificações consistentes, mas ainda enfrenta dificuldades contra os gigantes europeus.

Os demais (MIBR, Imperial, Legacy, RED Canids, Fluxo) carregam grandes histórias, mas atuam em um patamar onde chegar aos playoffs é sonho, não garantia. Para o Brasil, isso significa que a base existe e a infraestrutura está forte, mas o rótulo de “contender” só cabe mesmo a alguns poucos.

Ascensão do Brasil ou Declínio da América do Norte?

Vendo de forma regional, o cenário é mais complexo. É impossível ignorar a diminuição da presença norte-americana no Counter-Strike. Com a Complexity se retirando e a Cloud9 sendo apenas memória distante, a velha guarda do NA está desaparecendo, deixando mais vagas nos Majors. Até mesmo a Liquid, por tanto tempo a grande representante norte-americana, hoje é na prática uma equipe europeia (exceto no passaporte).

As Américas, como região, receberam 10 vagas para Budapeste. O Brasil ficou com sete. A América do Norte, antes o destino onde todos queriam jogar, está levando apenas um ou dois times. Parte do avanço competitivo brasileiro se deve tanto à infraestrutura sul-americana e aos torneios domésticos incessantes quanto ao êxodo de organizações e talentos do NA (impulsionado, em parte, pelo apelo do Valorant).

Não se trata apenas de quem sobe, mas também de quem está caindo.

Jason Lake tentou de tudo para manter a Complexity e o CS norte-americano vivos, mas não foi suficiente (créditos: Complexity)
Jason Lake tentou de tudo para manter a Complexity e o CS norte-americano vivos, mas não foi suficiente (créditos: Complexity)

Mais Oportunidades na Era VRS

A expansão da Valve para Majors com 32 equipes e um sistema de qualificação baseado em consistência regional (o VRS) em vez de picos pontuais recompensou países com circuitos fortes. O grind doméstico brasileiro significa que até sua “segunda linha” consegue acumular pontos e garantir vaga nos grandes eventos. Mas transformar essa abundância em campanhas de playoffs no cenário internacional... ainda é um desafio enorme.

A Europa continua uma fortaleza. Vitality, MOUZ e Spirit dominam o circuito de troféus, e apesar da força numérica brasileira, chegar sempre ao pódio contra esses elencos ainda parece pouco provável.

Um Teste de Substância

Para o Brasil, Budapeste é tanto celebração quanto campo de prova. A infraestrutura, o comprometimento, a escala: tudo isso impressiona. Mas a validação real virá apenas se vários times chegarem ao top 8, e não apenas ocuparem servidores. Neste momento, o Brasil simboliza a energia de uma região em ascensão e a realidade de um cenário global em transformação.

O futuro, de forma bem prática, depende do que acontecer nos 21 dias da maratona em Budapeste. Se a quantidade virar qualidade, poderemos estar presenciando uma nova era. Caso contrário, a conversa muda: foi algo único, possibilitado pela ausência do NA e pelas mudanças de formato, ou o primeiro capítulo de uma dominância duradoura?

Independentemente do resultado, sete bandeiras brasileiras em um Major — mais que qualquer outra nação antes — é um feito digno de estar nos livros de recordes, mesmo que o verdadeiro teste ainda esteja por vir.


Fique ligado no Strafe Esports para mais informações sobre Counter-Strike e notícias do Budapest Major. Não se esqueça de nos seguir nas redes sociais para atualizações em tempo real do seu jogo favorito. Se conteúdo exclusivo é o que você procura, nosso canal no YouTube é o lugar certo!

Créditos da imagem principal: IEM

Leia também:

FURIA enfrenta a Team Vitality nos Playoffs da ESL Pro League S22, veja todos os detalhes aqui

Bolão do Worlds 2025: Guia definitivo do Desafio Pick'em da Fase Suiça e Bola de Cristal

Dota 2 Traz de Volta a Votação do Suplemento do Colecionador

Últimas notícias

Lamborghini irá patrocinar eventos da DreamHack

Lamborghini irá patrocinar eventos da DreamHack

Uma parceria improvável, mas tão real quanto qualquer outra; a ESL FACEIT Group (EFG) anunciou um acordo de longo prazo com nada menos que a marca italiana de carros de luxo Automobili Lamborghini. Isso significa que a Lamborghini será a Parceira Automotiva Oficial dos eventos da DreamHack a partir de agora, começando com a DreamHack Atlanta (15 a 17 de maio) nos EUA.
17h
Martin Arévalo-Östberg

FURIA confirma presença nos playoffs da PGL Astana 2026

A FURIA está nos playoffs da PGL Astana 2026. A equipe brasileira venceu a Gentle Mates por 2-1 na 4ª rodada da fase suíça e garantiu sua vaga entre os oito melhores do torneio. Não foi fácil, mas a Pantera mostrou frieza quando precisava mesmo.
17h
Thales Costa

9z derrota Falcons com brutal 13-1 na Dust2 e continua surpreendendo na PGL Astana 2026

9z abala o mundo do CS2 esmagando as superestrelas Falcons com 13-1 no Dust2 para vencer 2-1 na PGL Astana 2026 e avançar a 2-0 na suíça.
11 May
André Guaraldo

9z se classifica para os playoffs em Astana com um 3-0 que ninguém esperava

9z Globant fez um impecável 3-0 na fase suíça do PGL Astana 2026, superando rivais de peso como Falcons e MOUZ. O time sul-americano avança para os playoffs na Barys Arena e entra de vez na conversa internacional.
11 May
André Guaraldo

FURIA estreia com autoridade na PGL Astana e atropela a Monte por 2-0

A FURIA chegou com tudo na PGL Astana 2026. Logo na estreia do torneio, o time brasileiro não deu chances para a Monte e saiu com uma vitória tranquila por 2-0, numa partida que deixou claro que a FURIA veio pra jogar de verdade nesse campeonato.
9 May
Thales Costa

Guia do Espectador do IEM Atlanta 2026: Cronograma, Onde Assistir e Mais

O IEM Atlanta 2026 ocorrerá de 11 a 17 de maio. Oferecendo um prize pool de $1 milhão, pontos cruciais de VRS e prática valiosa em LAN antes do próximo Major, o torneio reúne 16 equipes de Counter-Strike em Atlanta, Geórgia.
8 May
Adarsh J. Kumar

FURIA carrega o Brasil na PGL Astana 2026 com obrigação de resultado positivo

A FURIA chega à PGL Astana 2026 como única representante brasileira em um torneio de CS2 com 16 equipes e US$ 1,6 milhão em jogo. Confira o formato suíço, a estreia contra a Monte e o quanto o resultado pode impactar FalleN e o futuro do projeto da equipe em 2026.
7 May
André Guaraldo

Comentário (0)

Login para comentar sobre esta partida