Club Partner Program da Esports Foundation: Entendendo o motor por trás da EWC
A Strafe Esports foi convidada recentemente para um evento Rumble da Esports Foundation e esteve presente por lá. Todos os trechos, citações, perguntas e respostas aconteceram e foram obtidos nessa sessão. Algumas falas passaram por leves ajustes para facilitar a leitura.
O Club Partner Program (CPP) é uma das principais iniciativas da Esports Foundation (EF), focada em oferecer investimento e incentivos para um grupo seleto de organizações de esports que fazem parte do programa. Ele conta com um ecossistema próprio de suporte para as organizações e ainda oferece um caminho separado para a disputa de premiação, o Club Championship.
Durante o Rumble, CEOs e lideranças de várias organizações gigantes dos esports, incluindo a G2 Esports, a Team Vitality, a Team Liquid e a Cloud9, falaram sobre a experiência, os benefícios e os desafios de fazer parte do clube.
Um ecossistema que coloca dinheiro no caixa das organizações
Lançado em 2024, o Club Partner Program chega agora à sua terceira edição. “São 40 clubes líderes de esports no programa, que juntos alcançam mais de 300 milhões de fãs”, disse Hans Jagnow, Diretor de Relações com Clubes, Seleções Nacionais e Jogadores da Esports Foundation. “Nos últimos 12 meses, a EF comprometeu US$ 100 milhões entre o Club Championship e o programa de clubes, indo diretamente para os clubes”, confirmou.
“Cada clube individualmente pode ganhar até US$ 1 milhão por ano, dependendo do seu desempenho e das suas ideias.”
Team Liquid: criando estrutura em regiões menos desenvolvidas
Steve Arhancet, dono e co-CEO da Team Liquid, elogiou o programa e disse: “Isso nos dá uma forma de ativar nossa base de fãs em torno desses jogos específicos.”
“Existe uma natureza muito global ligada [à EWC e ao CPP]. Então, o que tentamos fazer é ativar essas bases de fãs e regiões locais para esses jogos em questão”, acrescentou Arhancet. Ele citou os esforços da Team Liquid no Sudeste Asiático, com equipes de Mobile Legends: Bang Bang (MLBB) na Indonésia e nas Filipinas. “Como temos times de MLBB lá, por exemplo, olhamos para essa região para ativar ações e campanhas de marketing, tanto no digital quanto presencialmente, em torno dessa comunidade.”
Arhancet destacou que o que o Club Partner Program oferece é estrutura, com oportunidades para que as organizações parceiras enviem propostas, que depois são comparadas com as de outras organizações com base em métricas quantificáveis. “É uma boa estrutura para desenvolvedoras, publishers, a EWC e até para as nossas próprias métricas quando o assunto é fandom”, concluiu.
G2 Esports: montando uma torcida global
“O programa de superfãs foi, sem dúvida, o ponto alto para mim”, disse Alban Dechelotte, CEO da G2 Esports. “A Esports World Cup é exatamente o que nós somos, uma mistura de competição e entretenimento.”
Ele destacou que, embora a G2 tenha essas duas frentes, no lado competitivo a filosofia da organização é qualidade acima de quantidade. “Se você olhar para os jogos AAA, League of Legends, VALORANT e CS, provavelmente somos o único time do mundo que se classificou para todos os grandes campeonatos dos três jogos em 2025.”
Ele encerrou lembrando que a G2 é um “time muito único”, já que não está “ligado a nenhum país em particular”.
“Existem pouquíssimos times no mundo dos esportes que têm essa conexão única, como a Ferrari ou os All Blacks. Esse tipo de equipe icônica que não é amada só no seu país, mas também carrega esse brilho de ser o segundo time favorito de praticamente todo mundo no mundo. Essa é a intenção que temos na G2 ao transmitir esse entretenimento, uma celebração bem-humorada do fandom.”
Team Vitality: crescer sem perder a sustentabilidade
Danny Engels, Chief International Officer da Team Vitality, também falou sobre o envolvimento da organização francesa com o Club Partner Program. “A Vitality viu a Esports World Cup como uma grande chance de crescer para além de ser apenas o clube francês”, disse ele. “Temos claramente o objetivo de nos tornar uma das melhores organizações do mundo e virar uma potência global.”
Engels destacou o impacto da Esports Foundation e do Club Program, e como isso permitiu que a Vitality entrasse em novos jogos, novos mercados e contratasse mais nomes de peso. Nos últimos anos, a Vitality teve um desempenho relativamente forte no Club Championship, terminando ali entre o 5º e o 6º lugar. Mesmo assim, Engels afirmou que, neste ano, a organização pretende ser menos cautelosa e mais ambiciosa, tentando uma colocação ainda melhor para bater de frente com organizações como a Team Liquid.
No CPP, exclusividade é parte do jogo
Então, já deu para entender que, pela perspectiva das organizações de esports, pelo menos das maiores, a Esports Foundation e o Club Partner Program funcionam como um aliado de peso para ampliar alcance, seja em estrutura, fandom ou crescimento. Só que o Club Partner Program não está aberto para todo mundo.
Entre várias candidaturas e critérios de avaliação, 40 organizações de esports são selecionadas a cada ano. E, durante aquele ciclo, essas organizações ganham acesso a financiamento na casa de seis dígitos, colaboração estratégica, iniciativas de crescimento de fãs e incentivos. Dá para dizer sem exagero que sobra motivação para qualquer organização de esports, no cenário atual, correr atrás de uma vaga.
"Não somos um modelo de receita dedicado. O que estamos fazendo é ajudar os clubes a investir na criação de capacidades para serem mais diversos naquilo que oferecem. Isso significa conteúdo melhor, mais gente trabalhando justamente em marketing, campanhas e na criação de mais capacidade para atender às necessidades dos parceiros."
“Existem basicamente 4 critérios que observamos ao avaliar as inscrições”, disse Jagnow. O primeiro é a integridade competitiva. “A competitividade, o desempenho, o número de lineups, os jogos em que a organização atua, assim como o seu histórico competitivo, tudo isso é muito importante para nós.”
O segundo é o nível de engajamento de fãs que a organização consegue atrair. “O Club Partner Program é muito focado em engajar os fãs por meio de conteúdo de ponta, narrativas interessantes e uma comunicação realmente forte em torno dos esports. Estamos olhando para esse potencial de ativar os fãs da melhor forma possível.”
O terceiro é a criatividade. “Estamos procurando clubes com muita ambição, ideias ousadas, que realmente queiram acelerar e seguir em frente.” Por fim, a distribuição regional da atual lista de membros também pesa bastante. “Queremos garantir que estamos realmente fazendo jus ao nome World Cup e presentes globalmente por meio das nossas parcerias.”
Parte da proposta do Club Partner Program é redistribuir a maior parte das vagas a cada ano, justamente para manter o processo de candidatura altamente competitivo. É por isso que algumas organizações de esports vistas em edições anteriores do programa ficaram de fora desta vez.
“A cada ano, todo mundo traz seus números, seus pitches, suas ideias e sua paixão para nós, e precisamos tomar uma decisão muito difícil”, revelou Jagnow. “Recebemos de 100 a 175 candidaturas por ano, e precisamos afunilar isso para as 32 vagas que temos, já que 8 vagas vão direto para as 8 melhores organizações do Club Championship anterior.”

Um projeto global e ambicioso: como as organizações estão lidando com isso?
Em um projeto como a Esports World Cup, com ambições tão grandes e tanta diversidade, até as organizações mais experientes dos esports teriam trabalho. Segundo as organizações parceiras, o financiamento oferecido pelo Club Partner Program ajuda bastante a dar esse passo de expansão. Mesmo assim, a pressão econômica continua existindo.
“Temos 13 entidades diferentes dentro da empresa Team Liquid”, disse Arhancet. “Publicamos conteúdo em 30 idiomas diferentes todos os dias. Nossas equipes de RH e finanças acham que eu sou meio maluco pelo tanto de expansão global que fizemos.” “Você precisa ter uma visão bem complexa de cada um desses jogos”, admite. “E, conforme esses jogos crescem ou perdem força em popularidade, precisamos tomar decisões de investimento ou desinvestimento de acordo com isso.”
Dechelotte também entrou na conversa para explicar a fórmula da G2 na hora de converter audiência em torcida: “Acho que às vezes existe uma confusão entre seguidores e fãs”, começou ele. “É muito claro que, se você adiciona novos jogadores, novos jogos e novos países, sem dúvida vai aumentar mecanicamente o seu número de seguidores.”
“Mas a grande pergunta é: como você constrói isso no longo prazo?”, ele provoca. “Para nós, isso passa por converter esses seguidores em fãs de verdade da G2. Temos nosso molho secreto, que nem é tão secreto assim. Acho que passa muito por um tom de voz único e por uma forma de contar histórias no conteúdo que, na nossa visão, conecta os jogos. Isso é muito importante para criarmos esse momento cultural de colaboração com música, moda e arte, que nos torna muito especiais e únicos, a ponto de os fãs escolherem a gente”, concluiu.
Na sequência, a Vitality trouxe um ponto de vista diferente. “Não deveríamos contratar jogadores só para a EWC, porque a longevidade por trás desse investimento não se sustenta de verdade”, disse Engels. Além disso, segundo ele, se uma organização contratasse jogadores apenas para a Esports World Cup, acabaria tendo de pagar salários inflacionados e ainda encontraria muito mais dificuldade para convencer esses atletas a entrarem na organização.
Jagnow ainda acrescentou: “Mas acho que ir bem no Club Championship não é só escalar elencos em 20 jogos diferentes, mesmo que isso ajude bastante. Também é sobre ser muito bom nos jogos em que você está. Mesmo com 3 jogos muito fortes, você tem uma ótima chance de pontuar alto dentro do Club Championship.”
"Acho que o que criamos nos últimos anos é um dos modelos de parceria mais ambiciosos do esporte e do entretenimento global."
O que fica disso tudo
Independentemente do que cada um pense sobre a Esports World Cup, o Club Partner Program é, sem dúvida, um alívio bem-vindo para equipes que seguem navegando por um cenário complicado. A possibilidade de grandes organizações de esports expandirem para mais regiões, de mais modalidades ganharem espaço e de novas comunidades crescerem é algo positivo que fica dessa história.
O crescimento dos esports na última década foi um verdadeiro espetáculo, com fandoms surgindo por toda parte, arenas lotadas e uma paixão que aparece o tempo todo. Depois de ouvir e analisar o impacto do Club Partner Program nas maiores organizações do mundo, fica claro como o programa se tornou vital para a continuidade do sucesso e do crescimento de várias delas.
Olhando para a próxima década, o desafio passa a ser outro: como não depender desse motor único para empurrar tudo sozinho, e sim usar isso como ponto de partida para construir uma estrutura financeira e de desenvolvimento mais sustentável.
Crédito da imagem de destaque: Esports Foundation

