Furia, MiBR e Pain se despedem da Fissure Playground com mais perguntas que respostas para o restante da temporada

Furia, MiBR e Pain se despedem da Fissure Playground com mais perguntas que respostas para o restante da temporada

Andre Guaraldo

17 Jul, 2025, 19:55

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Última atualização: 17 Jul, 2025, 20:04

A Fissure Playground chegou ao fim com uma realidade amarga para o Counter-Strike brasileiro: todos os três representantes - paiN Gaming, FURIA e MIBR - foram eliminados na fase de grupos. O primeiro grande evento internacional do segundo semestre de 2025 serviu como um termômetro do momento dos times nacionais após a pausa de meio de ano, revelando tanto sinais de mudanças táticas quanto preocupações sobre a consistência das equipes.

A Fissure Playground

A Fissure Playground está ocorrendo entre 15 e 20 de julho em Belgrado, na Sérvia, sendo o primeiro evento LAN de alto nível após o player break. Com 16 equipes convidadas baseadas no Valve Regional Standings (VRS) de maio, o torneio oferece US$ 1 milhão em premiação e pontos cruciais para o ranking mundial.

Os brasileiros chegaram ao evento com expectativas distintas. A FURIA estava ranqueada como a única equipe do top 10 global presente no torneio, enquanto a paiN Gaming era vista como uma das concorrentes ao título após sua campanha histórica no Major de Austin. A MIBR, por sua vez, buscava se consolidar após mudanças recentes.

Desempenho Individual das Equipes

A paiN Gaming foi a primeira a se despedir. Considerada uma das favoritas pelo desempenho no Austin Major, onde chegou às semifinais pela primeira vez na história, a equipe decepcionou ao perder para a 3DMAX por 2-0. O time brasileiro mostrou dificuldades especialmente no lado CT, com o IGL biguzera apresentando rating de apenas 0.5 no confronto decisivo.

A FURIA também frustrou as expectativas. Mesmo sendo a equipe brasileira mais bem ranqueada, perdeu na decisão do Grupo A para a SAW por 2-1. A série foi equilibrada, com mapas que terminaram 19-22 na Ancient, 13-8 na Train favorável à FURIA, e 10-13 na Inferno para os portugueses.

A MIBR completou o trio de eliminações brasileiras ao perder novamente para a Astralis por 2-1. Esta foi a segunda derrota da equipe para os dinamarqueses no torneio, após também ter perdido na estreia. O time brasileiro mostrou razoável performance ao vencer a Virtus.pro por 2-0 entre os dois confrontos com a Astralis.

Contrastes com o Primeiro Semestre

A eliminação precoce dos três times brasileiros contrasta fortemente com o excelente desempenho no Major de Austin. No evento de junho, o Brasil teve uma das melhores campanhas da história, com FURIA e paiN nos playoffs, repetindo o feito de 2017. A paiN chegou às semifinais pela primeira vez, enquanto a FURIA mostrou consistência com uma campanha 3-0 no Stage 3.

No Major de Austin, a FURIA dominou com molodoy e KSCERATO, enquanto a paiN mostrou resiliência impressionante, eliminando a própria FURIA nas quartas de final. A MIBR, mesmo eliminado mais cedo, teve momentos interessantes, incluindo a vitória épica sobre a Team Falcons.

Sinais de Mudanças Táticas

A pausa de meio de ano (23 de junho a 22 de julho) parece ter impactado o timing das equipes brasileiras. A FURIA, que antes dominava com um jogo estruturado e agressivo, mostrou inconsistências na Fissure Playground. O time que no Major de Austin tinha molodoy como motor ofensivo viu o time ter dificuldades como um todo para encontrar o ritmo após a pausa, além de mudar os mapas jogados, disputando a Ancient pela primeira vez em muito tempo..

A paiN Gaming, que se destacou pela resiliência e capacidade de virada no Austin Major, pareceu mais previsível em Belgrado. O time que eliminara a FURIA de forma heroica não conseguiu repetir a intensidade e criatividade táticas que marcaram sua campanha histórica no Texas.

Avaliação Equilibrada dos Resultados

É importante contextualizar que a Fissure Playground foi o primeiro evento pós-pausa, naturalmente um período de readaptação para todas as equipes. A ausência de gigantes como Vitality, Team Spirit, FaZe e NAVI criou um cenário mais equilibrado, mas também mais imprevisível.

O formato de grupos GSL (double elimination) com apenas duas vagas por grupo tornou a competição extremamente disputada. Times como 3DMAX, SAW e Astralis mostraram preparação sólida e aproveitaram as incertezas do retorno pós-pausa para superar adversários teoricamente superiores.

Perspectivas e Preocupações

Os pontos positivos incluem o fato de que os três times brasileiros mantiveram suas estruturas principais e mostraram momentos de qualidade individual. A FURIA demonstrou capacidade de adaptação durante a série contra a SAW, enquanto a MIBR mostrou evolução ao vencer a Virtus.pro após as derrotas iniciais.

As preocupações residem na aparente queda de consistência comparada ao primeiro semestre. A dependência excessiva de performances individuais e a dificuldade em manter ritmo ao longo de séries mais longas foram problemas recorrentes para os três times.

Qual o futuro dos Brasileiros pós Fissure Playground?

A Fissure Playground serviu como um alerta necessário para o Counter-Strike brasileiro. Embora seja prematuro tirar conclusões definitivas sobre o segundo semestre com base em um único evento pós-pausa, os resultados indicam que a competitividade global aumentou e as equipes brasileiras precisam se adaptar rapidamente.

O próximo teste será crucial: a IEM Cologne (23 de julho a 3 de agosto) oferecerá uma oportunidade de redenção imediata. Com mais tempo de preparação e a experiência da Fissure Playground, os times brasileiros têm potencial para retomar o protagonismo que marcou o primeiro semestre de 2025.

A mensagem é clara: o talento está presente, mas a consistência e adaptabilidade serão fundamentais para competir no novo cenário do Counter-Strike internacional no segundo semestre.

Créditos da imagem em destaque: Fissure

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