"O e-sport não é mais um fenômeno. É o entretenimento da nova geração." - François-Xavier Deniele da Ubisoft
18 Jul, 2026, 02:47
|Última atualização: 18 Jul, 2026, 02:47
Já se passaram 10 anos desde o pontapé inicial do cenário competitivo de Rainbow Six: Siege e os esports do jogo não param de crescer. Apesar dos clássicos altos e baixos, o FPS tático continua sendo um dos gigantes absolutos dos esports até hoje, batendo um pico absurdo de mais de 520.000 espectadores no Six Invitational de 2024.
Logo após a coletiva de imprensa que abriu a EWC 2026, a Strafe bateu um papo exclusivo com François-Xavier Deniele, VP de Marketing e Esports de Rainbow Six. Com impressionantes 17 anos de casa na Ubisoft e contando, François abriu o jogo sobre o que mantém o R6 tão sustentável depois de uma década, as estratégias para puxar sangue novo de jogadores e espectadores, e ainda mandou a real sobre o cenário geral dos esports e como o Siege mantém o famoso sonho do "zero ao herói" vivo.
*Nota: A entrevista abaixo foi levemente editada para manter a clareza e fluidez do papo.
O Jogo no "Coração de Cada Decisão"
Strafe: Para começar, eu queria falar sobre esses 10 anos de sustentabilidade de Rainbow Six: Siege. É um feito gigante, quase nenhum jogo consegue manter uma cena de esports viva por tanto tempo. Qual é a regra de ouro que vocês priorizam para manter o jogo competitivo e saudável nesse longo prazo?
Essa é uma boa pergunta. Sem dúvida, no coração de cada decisão que a gente toma pro jogo, está o esforço contínuo de ouvir o que a nossa comunidade quer. A gente tem uma conexão super profunda com todas as nossas comunidades, e o que a gente nunca pode esquecer é que elas são bem diferentes entre si.
Claro, temos a galera dos esports, que são os melhores jogadores do mundo. Eu até costumo brincar que eles jogam um game totalmente diferente do resto. Eles conhecem o jogo como ninguém. Mas, do outro lado, temos a nossa comunidade gigante de mais de 100 milhões de pessoas que jogam de um jeito bem diferente. Então, nosso desafio é equilibrar as coisas pra todo mundo, já que os comportamentos dentro do servidor não são iguais.
Isso resume bem a ideia de colocar o jogo no coração de toda decisão que a gente faz nos esports. E olha, a gente não muda ou atualiza o game só pra favorecer o competitivo. A gente cria, sim, conteúdos e ferramentas específicas, mas a ideia é sempre maximizar a visibilidade e a experiência em cada cantinho do nosso jogo.
Trazendo a Próxima Geração de Fãs pro Siege
Strafe: Falando agora de quem assiste. Rainbow Six: Siege é um jogo bem complexo. Se você não manja do game e começa a assistir, é mapa cheio de andares pra cá, quase 80 Operadores pra lá... É muita coisa. O quanto vocês suam a camisa para diminuir essa barreira de entrada e deixar as coisas mais fáceis pro novato ou pro novo espectador entender?
É um trabalho diário. É totalmente focado em como a gente traz essa galera nova, e com a chegada do Rainbow Six: Siege X, a gente vê a verdadeira evolução do jogo. Depois de 10 anos, a gente colocou novas formas da galera entrar, começar a jogar com menos Operadores no começo, focando em um mapa só. Assim, eles começam a entender a coisa mais como uma partida de xadrez, sacando as ferramentas e aprendendo como trabalhar o mapa.
Também é nosso papel melhorar a forma como a gente mostra o jogo. E como o público interage com isso. Então a gente tá trazendo várias inovações, ferramentas e funcionalidades, como aquela visão de cima, pra galera acompanhar cada andar e ver os jogos mentais rolando soltos entre os times.

A gente também incluiu várias métricas de previsão pra galera entender melhor a ação. Porque o que deixa o Rainbow Six tão insano é o controle de tempo. A parada começa super devagar, e de repente, tudo explode e se resolve em 30 segundos. Por isso, a gente trabalha muito perto da Blast e da nossa equipe de produção pra pensar: "Beleza, como a gente pode mostrar cada jogada de um jeito diferente?" Pra galera perceber que, sim, aconteceu muita coisa, não foi só aquele último tiro que decidiu o round.
Formatos de Competição e o Sonho do "Zero ao Herói"
Strafe: Agora sobre os ecossistemas, pegando Copa do Mundo contra o modelo de franquias de clubes nos esports. Você acha que o sistema fechado de franquias acaba travando o crescimento dos esports? Será que a cena deveria ir mais pro lado de eventos tipo Copa do Mundo? Dá pra misturar os dois mundos?
Isso é bem interessante porque, pra mim, a indústria já amadureceu o suficiente pra gente ter as duas abordagens. No nosso próprio circuito de Rainbow Six, que é global e anual, a gente ainda mantém aquele caminho aberto pro Tier 1 e o ecossistema do "zero ao herói". Ou seja, as principais ligas não são fechadas a cadeado. A gente curte essa integração, sabe, do fundo da tabela até o topo, pra garantir que a gente não perca a essência de que qualquer um pode virar o Campeão Mundial do jogo. Isso é fundamental em tudo que a gente faz.
Pro Rainbow Six, manter essa dinâmica é vital. E os clubes são parceiros essenciais nisso pra manter a sustentabilidade e a visibilidade dos jogos lá no alto. É por isso que criamos o programa R6 Share, um jeito de ajudar a sustentar os times parceiros. A gente morre de orgulho disso porque lançamos há nove anos e continua sendo um dos melhores modelos do mercado pra compartilhar itens do jogo com eles.
E pra mim, como os esports e a visibilidade deles amadureceram muito, o e-sport não é mais um fenômeno. É o entretenimento da nova geração. Com isso, a gente pode trazer iniciativas pesadas como a Esports World Cup ou a Esports Nations Cup, onde diferentes jogos se juntam. Isso é irado porque expõe nosso jogo pra novos públicos — quando você fica só no seu ecossistema, você só fala com seus próprios jogadores.
É muito bom estar aqui, trabalhando lado a lado com outras desenvolvedoras. A gente tem o maior orgulho de ser a única publisher europeia e francesa na jogada, trocando ideia com a EA, Riot, Tencent... tipo, "beleza, o que a gente precisa fazer juntos pela indústria?". Pra mim, o auge disso tudo é a Esports Nations Cup, que tá logo aí. A gente tá definindo: "o que realmente significa representar seu país num jogo?". E pra mim, isso é simplesmente loucura.
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Crédito da Imagem de Destaque: Exclusiva Strafe Esports
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