Construindo um Ecossistema de Esports Impossível de Ignorar: Os Bastidores da Riot Games na Índia e Sul da Ásia

Construindo um Ecossistema de Esports Impossível de Ignorar: Os Bastidores da Riot Games na Índia e Sul da Ásia

22 Aug, 2026, 12:29

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Última atualização: 22 Aug, 2026, 12:29

Em um cenário de games gigantesco e culturalmente diverso como o Sul da Ásia, fórmulas prontas de publicação simplesmente não funcionam. Afinal, como divulgar um FPS tático para jogadores de Nova Délhi a Bangalore, passando por Catmandu e Daca? E como impulsionar a base a ponto do reconhecimento internacional se tornar inevitável?

Para entender esses desafios, conversamos com Anushka Bhatnagar, Líder de Publicação da Riot Games para a Índia e o Sul da Ásia.

Completando três anos de Riot em 7 de agosto de 2026 e oito anos na indústria de jogos, Bhatnagar compartilhou sua visão sobre publicação, iniciativas de base, diversidade e a paixão que move o cenário de Valorant na região.

Anushka Bhatnagar no escritório da Riot Games Índia (Foto: Kaustavmani Choudhury)
Anushka Bhatnagar no escritório da Riot Games Índia (Foto: Kaustavmani Choudhury)

Muito Além da Audiência: O Foco na Participação

Nos esports, o sucesso muitas vezes se resume aos números de audiência em uma planilha de Excel. Só que, embora os dados de transmissão importem, Bhatnagar defende que o verdadeiro crescimento de um ecossistema se mede por outro termômetro bem mais empolgante: a participação dos jogadores.

O Sul da Ásia é um mercado fragmentado e bastante heterogêneo, onde cada comunidade tem suas particularidades. As campanhas precisam respeitar nuances culturais, já que o que funciona com um jogador em Hyderabad pode passar longe de agradar alguém em Délhi.

Para medir o impacto real, a equipe local da Riot acompanha de perto o engajamento do público, a participação dos jogadores, a profundidade do ecossistema e o crescimento geral da comunidade.

"A audiência, é claro, é muito importante. Queremos saber se as pessoas estão assistindo... Mas algo que realmente me empolga é a participação. Ver aquela jornada de um grupo de cinco amigos conseguindo competir de verdade, acho que é aí que a mágica realmente acontece."

Ao focar na jornada do jogador, a Riot quer encurtar a distância entre a gameplay casual e o cenário competitivo estruturado.

O Valorant Campus Cup Como Porta de Entrada Para a Base

Um grande obstáculo no Sul da Ásia sempre foi a falta de um caminho claro para quem sonha em competir. Para resolver essa questão, Bhatnagar e sua equipe criaram a Valorant Campus Cup (VCC) como a grande porta de entrada no cenário universitário e amador.

A VCC é um torneio universitário de primeira linha que dura seis meses e percorre toda a Índia. O objetivo é encontrar a galera onde ela costuma se reunir, como faculdades e lan houses. A competição oferece um caminho estruturado para disputar desde o nível universitário e o modo Premier até os grandes palcos.

No ano passado, a grande final pegou fogo entre Bangalore e a JECRC College de Jaipur, com o elenco de Jaipur levando o troféu para casa.

"A energia de estar ali entre os estudantes universitários e vê-los competir foi incrível, sem falar na paixão contagiante dos colegas torcendo por eles... o cenário de base é muito vivo e queremos investir ainda mais nisso."

Neste ano, a Riot Games Índia fechou parceria com a JioBLAST para expandir a VCC. Bhatnagar acredita que abrir diferentes portas de acesso por meio de lan houses ou integrações de aplicativos cria um celeiro saudável de novos talentos.

Diversidade e Inclusão no Game Changers

O compromisso da Riot com um cenário competitivo inclusivo ganha força com o Game Changers, iniciativa voltada para mulheres e gêneros marginalizados.

Em 2025, a equipe regional Asterisk mandou muito bem, enquanto jogadoras como Casper viajaram para a Coreia do Sul para somar uma experiência internacional valiosa.

Só que torneios de elite sozinhos não resolvem a questão da representatividade; a inclusão precisa começar logo na base. Pensando nisso, a Riot integrou uma divisão competitiva dedicada para mulheres e comunidades marginalizadas diretamente na Valorant Campus Cup.

"Em competições como o Game Changers, por mais que sejam fundamentais para o ecossistema crescer, não conseguimos fomentar a base por lá. E nós realmente sentimos que tudo começa na base, então vamos implementar isso na VCC desta vez."

Ao criar qualificatórias exclusivas para jogadoras e membros de comunidades marginalizadas na VCC, a Riot permite que competidores de diferentes cidades se inscrevam e joguem em um ambiente universitário acolhedor.

A Nova Rota de Classificação no VCT APAC

O calendário competitivo da região Ásia-Pacífico passou por uma grande reviravolta quando Coreia, Japão, Tailândia, Indonésia e Vietnã garantiram vagas diretas com a reestruturação do VCT para 2027. Enquanto isso, o Sul da Ásia, o Sudeste Asiático e a Oceania foram reunidos em uma chave única de classificação via Last Chance Qualifier.

Regiões do VCT 2027 (Foto: Riot Games)
Regiões do VCT 2027 (Foto: Riot Games)

Apesar do receio inicial da comunidade, Bhatnagar enxerga as mudanças como um passo bastante realista e prático. Segundo ela, a chave unificada democratiza a corrida rumo ao VCT Pacific.

"Eu vejo isso de forma um pouco diferente. O caminho que o Sul da Ásia e a Oceania estão trilhando é entrar no sistema geral do VCT Pacific por meio de uma qualificatória... O que eu realmente gosto nesse formato é que ele torna a jornada muito mais palpável e acessível. Você não precisa já nascer como uma organização internacional para conseguir chegar lá."

Esse modelo garante que qualquer quinteto talentoso de amigos treinando na faculdade ou na lan house tenha uma rota clara e direta para alcançar o palco global.

A Força das Lan Houses e o Olhar Hiperlocal

A Índia está vivendo um verdadeiro renascimento na cultura de lan houses e arenas gamers. Esse retorno ganha ainda mais força com a tecnologia moderna; hoje, aplicativos como o "District" permitem que os jogadores reservem horas de jogo em estabelecimentos próximos sem complicação.

O plano da Riot para esse mercado aquecido se baseia em captar insights hiperlocais em vez de apostar em receitas genéricas.

O escritório local de publicação trabalha ativamente para compreender a identidade de cada região. Em vez de comunicados formais e corporativos, a Riot aposta em memes locais e no humor da internet para falar a mesma língua da torcida nas redes sociais.

"A localização é importante, mas o insight é ainda mais essencial... Nós hiperlocalizamos algumas coisas muito divertidas. Você encontra memes super específicos de algum canto do país que viralizaram, e essa é uma das formas de manter contato próximo com a comunidade."

Essa estratégia, liderada pelo Community Lead Brian, fez o perfil da Riot Games Índia no Instagram disparar de 10 mil para mais de 142 mil seguidores.

A Revolução Mobile e a Expectativa Pelo Valorant Mobile

A Índia é um mercado voltado prioritariamente para os celulares, com bases gigantescas de jogadores em títulos como BGMI, Call of Duty Mobile e MLBB. Longe de enxergar o celular como um rival, Bhatnagar destaca que a plataforma mobile é hoje o canal de distribuição mais poderoso da Riot.

VALORANT Mobile ultrapassa 170 mil downloads e arrecada US$ 1 milhão no dia de estreia na China (Foto: Riot Games)
VALORANT Mobile ultrapassa 170 mil downloads e arrecada US$ 1 milhão no dia de estreia na China (Foto: Riot Games)

A empolgação da galera com a chegada do Valorant Mobile está nas alturas. A comunidade debate ativamente sobre a adaptação das habilidades dos agentes para a tela de toque e como será a sensação do tiroteio tático nos smartphones.

"O que eu mais ouço por aí não é apenas 'Nossa, o Valorant vai sair para celular'. É mais algo como: 'Ei, como vai ser a experiência? Qual será a sensação de jogar Valorant no celular? Com qual agente a gente vai jogar? Como vai funcionar a habilidade de tal agente?'"

Embora a data de lançamento continue sob sigilo, Bhatnagar garante que a Riot está de ouvidos bem abertos ao feedback da comunidade para entregar uma experiência redonda.

Caminhos de Carreira em Uma Indústria em Alta

À medida que o ecossistema amadurece, o mercado vai muito além de ser apenas jogador profissional. O Sul da Ásia vive uma grande expansão em carreiras alternativas nos games, que Bhatnagar divide em três áreas principais:

  1. Cargos em Estúdios: Carreiras técnicas voltadas para desenvolvimento de jogos, programação e game design de economia em estúdios indie em ascensão.

  2. Cargos em Publicação: Posições criativas que envolvem gestão de marca, produção de conteúdo, redes sociais e assessoria de influenciadores.

  3. Ecossistema de Esports e Criadores: Produção técnica de eventos, narração, comissão técnica, gestão de times e organização de torneios.

Lembrando de sua própria trajetória, Bhatnagar aconselha quem está começando a dar um passo de cada vez.

"No meu caso, comecei em operações de conteúdo de marketing, onde cuidava um pouco de influenciadores, redes sociais, produção de conteúdo, SEO, de tudo um pouco. Entrar na indústria de games é o ponto de partida ideal para construir seu networking e seguir em frente."

A Índia Pronta Para os Grandes Eventos Mundiais

Enquanto o Sudeste Asiático já recebeu competições de peso como a final da Etapa 1 do VCT Pacific 2026 no Vietnã e o VALORANT Masters Bangkok, a torcida indiana está ansiosa para ver um evento de Tier 1 da Riot em casa. Bhatnagar quer trazer essa estrutura para o país, mas ressalta que o cenário precisa acumular conquistas antes disso.

Ao expandir a Valorant Campus Cup, promover torneios presenciais locais bem-sucedidos e incentivar a base, a Riot Games Índia prova dia após dia que a região tem infraestrutura e paixão de sobra para sediar um campeonato de nível mundial.

"Como provamos que a Índia realmente merece isso? Como construir um ecossistema impossível de ignorar?... Todos esses pequenos passos vão se somar e formar algo grandioso, e será nesse momento que estaremos prontos."

Com trabalho comunitário constante, publicação localizada e foco na base, Anushka Bhatnagar e sua equipe constroem um cenário que segue crescendo e já se tornou impossível de ignorar.

Você pode conferir a entrevista completa com Anushka Bhatnagar no vídeo abaixo:


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